Depois de sofrer traumas permanentes por conta da violência doméstica, as mulheres são obrigadas a passar por mais uma prova até alcançar o direito a uma cirurgia reparadora, que pode devolver parte de sua dignidade.
A fila para o primeiro atendimento com equipe especializada para uma eventual cirurgia reparadora demora até dois anos no Brasil. Para reduzir o tempo para esse atendimento, a SBCP e a TheBridge Global, consultoria especializada em projetos de responsabilidade social com atuação no Brasil e exterior, lançaram o 1º. Programa de Cirurgia Reparadora para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica.
O programa, lançado no início de outubro, dá agilidade ao primeiro atendimento às vítimas de violência doméstica que necessitam de algum tipo de cirurgia plástica reparadora na rede pública de saúde. São 11 serviços atendendo nos hospitais da capital paulista, primeira região no país a receber o programa.
Maria da Penha
No Brasil, uma em cada duas mulheres já sofreram algum tipo de violência física, sexual ou abuso praticado por um homem, de acordo com a Secretaria de Políticas para as Mulheres. Dessas, 59% são agredidas diariamente. Em 70% dos casos de violência doméstica, o agressor é o marido ou companheiro da vítima. Atualmente, a mulher vítima de violência doméstica que necessita de cirurgia plástica reparadora chega a aguardar até dois anos para a realização da cirurgia. Esse atendimento é garantido por lei, por meio do PLS 139 de 2010, mas muitas mulheres desconhecem esse direito.
A SBCP procurou na TheBridge Global uma parceria especializada em estratégia e gestão em responsabilidade e inovação social. “Construimos pontes entre as instituições públicas, a sociedade civil, o terceiro setor e as empresas com o objetivo de implementar projetos que impactem e transformem a sociedade”, explica a presidente da TheBridge Global, Leonor Sá Machado.
“Queremos, com o programa de cirurgia reparadora, devolver a dignidade às mulheres vítimas de violência doméstica com o acesso à cirurgia plástica reparadora, já garantido por lei”, enfatiza Leonor. “É um prazer, meu e do Instituto Maria da Penha, de apoiar este projeto que vai resgatar a dignidade da mulher vítima da violência doméstica física.
Iniciativas como esta representam um grande passo para a reconstrução da vida dessas mulheres”, registra Maria da Penha Maia Fernandes, que por vinte anos lutou para ver seu agressor preso, e emprestou seu nome para a Lei 11.340 de 2006 dos direitos da mulher.
Reportagem da TV Cultura



