O tratamento da osteomielite crônica envolve o desbridamento agressivo seguido por cobertura com tecidos moles. O paradigma de que a cobertura com retalho muscular é superior tem sido desafiado por relatos bem-sucedidos de cobertura com retalhos cutâneos. Para isso, cirurgiões plásticos da Coreia do Sul avaliaram a eficácia dos retalhos perfurantes para a reconstrução de defeitos de osteomielite crônica. O artigo foi publicado no periódico Plastic and Reconstructive Surgery, de julho de 2017.
Realizou-se uma revisão retrospectiva de 120 pacientes com osteomielite crônica submetidos a desbridamento e reconstrução com retalhos perfurantes, de 2000 a 2015. Os critérios de inclusão foram casos de osteomielite crônica por no mínimo 6 semanas e com seguimento de pelo menos 2 anos após a cirurgia.
Foi analisada a correlação entre a recorrência e os seguintes fatores: comorbidades, frequência de desbridamento, duração da osteomielite crônica, estado vascular dos membros e método de obliteração do espaço morto. Os resultados analisados foram perda do retalho, taxa de recorrência, taxa de remissão primária, taxa de remissão secundária e taxa de amputação.
A taxa de perda do retalho foi de 4,2%, a taxa de recorrência foi de 8,3%, a taxa de remissão primária foi de 91,6%, a taxa de remissão secundária foi de 98,3% e a taxa de amputação foi de 1%. Preditores significativos de recorrência foram doença vascular periférica e comprometimento importante do vaso, que apresentaram probabilidades de recorrência 5,1 vezes maiores (p<0,05).
Como conclusão, os autores afirmam que é possível obter altas taxas de remissão da doença com uso do retalho perfurante, associado ao desbridamento adequado, reconstrução óssea e obliteração do espaço morto. Os preditores de recorrência da osteomielite crônica foram doença vascular periférica e comprometimento vascular maior.



