Um estudo realizado em Nova Iorque e publicado no Plastic and Reconstructive Surgery de dezembro avalia a qualidade de vida relacionada à saúde em pacientes que passaram por diferentes ressecções cirúrgicas em cabeça e pescoço. As neoplasias de cabeça e pescoço costumam estar associadas a resultados cirúrgicos não satisfatórios para pacientes, no que diz respeito ao manejo da qualidade de vida.
Pesquisadores do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, de Nova Iorque, realizaram uma análise prospectiva da qualidade de vida relacionada à saúde em pacientes submetidos à ressecção cirúrgica com reconstrução por meio de retalhos para neoplasias de cabeça e pescoço em estádio II ou III.
Os pacientes preencheram, no pré-operatório, dois questionários de avaliação de qualidade de vida e, em tempo estabelecido do pós-operatório, tais pesquisas foram novamente preenchidas. As pontuações foram comparadas com teste t pareado.
Foram analisados 75 pacientes. A proporção da coorte não viva após dois anos foi de 53%. Os escores físicos, de função e de funcionamento social aos três meses foram significativamente inferiores aos valores pré-operatórios (p<0,05). Aos 12 meses de pós-operatório, nenhuma das classificações de função ou de qualidade global de vida diferiu dos níveis pré-operatórios, enquanto cinco das escalas de sintomas permaneceram abaixo da linha de base.
Com um ano de pós-operatório, maxilectomia, glossectomia parcial e os defeitos do revestimento bucal tiveram melhor função e menos sintomas do que mandibulectomia, laringectomia e glossectomia total. De seis a 12 meses de pós-operatório, os defeitos de glossectomia parcial e de revestimento bucal apresentaram maior qualidade de vida global do que as laringectomias (p<0,05).
Os autores concluem que a qualidade de vida pós-operatória relacionada à saúde está associada à localização anatômica da ressecção cirúrgica da cabeça e pescoço. A orientação pré-operatória deve ser direcionada para os defeitos ablativos comuns, com as expectativas pós-operatórias ajustadas adequadamente. Como a cirurgia afeta negativamente a qualidade de vida relacionada à saúde no período pós-operatório imediato, a sobrevivência limitada deve ser revisada e discutida com os pacientes.



