Os Estados Unidos possuem um sistema federal de acreditação de instituições de saúde que realizam procedimentos cirúrgicos. Ele se baseia na complexidade das cirurgias e se divide em consultórios com sala cirúrgica (OBSS – semelhante às clínicas privadas com estrutura de centro cirúrgico), centros de cirurgia ambulatorial (ASC – semelhante aos hospitais Dia no Brasil) e hospitais propriamente ditos.
Nos últimos anos houve um aumento dramático de procedimentos feitos em clínicas privadas e, diante da possível falta de estrutura adequada, a segurança tem sido questionada.
Uma recente publicação do Aesthetic Surgery Journal (ASJ) comparou as taxas de complicação entre as diversas instituições que realizam cirurgias estéticas nos EUA por meio de dados compilados de 183.914 pacientes operados.
Realizou-se um estudo tipo Cohort prospectivo de pacientes operados entre 2008 e 2013 e que fazem parte do banco de dados de uma seguradora americana especializada em cobertura de complicações em cirurgia estética (CosmetAssure).
Como desenho do estudo, os pacientes foram agrupados por tipos de instituição que realizaram suas cirurgias e o desfecho primário a ser analisado seria a incidência de complicações que pudessem requerer sala de emergência, admissão hospitalar ou mesmo reoperação no intervalo de 30 dias. Fatores de risco potenciais incluíram idade, sexo, índice de massa corporal (IMC), tabagismo, diabetes, tipo de procedimento realizado e se foram combinados.
Como resultado obtido, 129 mil pacientes (57,4%) foram operados em hospitais-dia (ASCs), seguido de hospitais (26,7%) e OBSS-Clinicas (15,9%). Os pacientes operados em clínicas foram menos submetidos a procedimentos combinados do que as outras instituições e a taxa de complicações ficou assim: 1,3% (OBSS), 1,9% (ASCs) e 2,4% nos hospitais.
Uma analise estatística multivariada resultou em menor risco de desenvolver complicações em OBSS-Clinicas, em comparação com a ASCs (RR 0.67, 95% CI 0.59-0.77, P < .01) e hospitais (RR 0.59, 95% CI 0.52-0.68, P < .01).
Os autores concluem que OBSS-Clinicas são uma alternativa segura para cirurgias estéticas, porém os cirurgiões devem triar os pacientes a serem operados nestas instituições de forma cuidadosa, baseada em outras comorbidades potencialmente associadas e que não foram avaliadas no presente estudo.
Veja a íntegra do estudo aqui: http://dx.doi.org/10.1093/asj/sjw138



