As taxas de reconstrução mamária com implantes aumentaram entre os pacientes com câncer de mama tratados por meio de radioterapia nos Estados Unidos. Este estudo tem como objetivo avaliar a morbidade associada com as várias técnicas de reconstrução mamária em pacientes irradiados. O estudo foi realizado por cirurgiões plásticos da University of Michigan, e publicado no periódico Plastic and Reconstructive Surgery, em abril de 2017.
Os autores selecionaram pacientes com câncer de mama submetidos a mastectomia com radioterapia, e reconstrução mamária entre 2009 e 2012, proveniente de um banco de dados. Os dados demográficos e de tratamento clínico, incluindo dados sobre o tempo de irradiação relativo à reconstrução mamária foram obtidos. Complicações e falhas após implante e reconstrução autóloga também foram registradas.
Foram selecionados 4.781 pacientes irradiados que preencheram os critérios de inclusão. A maioria dos pacientes (n=3.846, 80%) foi submetida à reconstrução com implantes. As taxas de complicação global foram de 45,3% e 30,8% para os pacientes com implante e reconstrução autóloga, respectivamente. A falha de reconstrução ocorreu em 29,4% dos pacientes após reconstrução com implante em comparação com 4,3% dos pacientes após reconstrução autóloga.
Os pacientes irradiados após reconstrução com implante tiveram duas vezes mais probabilidade de ter qualquer complicação e 11 vezes mais probabilidade de falha em relação aos pacientes com reconstrução autóloga.
Como conclusão, os autores indicam que a reconstrução mamária com implantes no paciente irradiado, embora seja popular, está associada a morbidade significativa. As falhas de reconstrução com implantes nestes pacientes aproximam-se de 30% no curto prazo, sugerindo a necessidade de tomada de decisão compartilhada cuidadosa, com a divulgação completa da morbidade potencial.



