Um estudo publicado em janeiro pelo Plastic and Reconstructive Surgery (PRS) sugere que seja impossível para cirurgiões plásticos e enfermeiros distinguir próteses redondas de próteses anatômicas ao observar fotografias de pacientes nas fases pré-operatória e pós-operatória.
Diante disso, o autor da pesquisa sugere que o uso rotineiro do cada vez mais popular implante “em forma de gota” não se justificaria. O trabalho foi liderado pelo Dr. Carlos Rubi, do Departamento de Cirurgia Plástica do Hospital IMED, em Valência, Espanha.
Trinta cirurgiões plásticos e enfermeiras de cirurgia plástica revisaram fotos pré-operatórias e pós-operatórias de 30 mulheres submetidas ao aumento mamário com implantes redondos ou anatômicos, sendo 15 pacientes em cada grupo. Os dois grupos tinham sido submetidos a implantes de silicone, com tamanho médio de 300cc e colocados de forma retropeitoral.
Para cada conjunto de fotos, os cirurgiões e enfermeiros tentaram identificar qual teria sido o tipo de implante foi utilizado. O objetivo era determinar se os resultados estéticos dos implantes redondos e dos moldados poderiam ser diferenciados uns dos outros.
Para todas as observações, havia cerca de 50% de chance de identificar corretamente o implante utilizado. Houve uma falta de concordância não só entre os avaliadores, mas também entre o parecer de cada avaliador, ao analisar as mesmas imagens semanas mais tarde.
Os cirurgiões plásticos foram ligeiramente melhores que os enfermeiros na identificação do tipo de implante, possivelmente porque eles são capazes de deduzir qual tipo de implante seria provavelmente recomendado, baseado nas fotos pré-operatórias.
Implantes anatômicos estão cada vez mais populares para a cirurgia de aumento mamário. Isso com base na ideia de que o formato anatômico confere resultados mais naturais que o redondo, segundo os autores do estudo. “Porém, o estudo demonstra que mesmo os cirurgiões plásticos e os enfermeiros de cirurgia plástica não conseguem diferenciar os resultados finais.”
Os autores também recordam outro estudo, em que casos semelhantes de reconstrução mamária com os dois tipos de implantes não puderam ter o tipo de prótese identificada pela simples observação de fotografias.
Portanto, os autores concluem que está demonstrada a incapacidade de detectar diferenças estéticas pós-operatórias entre os tipos de implantes. A conclusão tem relevância devido à crescente preferência por implantes anatômicos, que custam mais e carregam um risco maior de complicações relacionadas à rotação do implante, em comparação com as próteses redondas. “O uso sistemático de implantes com formato anatômico não é justificado”, afirma Dr. Rubi. “Os resultados naturais são alcançados com ambos os tipos de implantes.”



