Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Regional São Paulo

Comparação da qualidade de vida e das complicações em quatro métodos de reconstrução autóloga baseados em retalhos abdominais

Aproximadamente 20% das mulheres escolhem tecidos autólogos para reconstrução mamária pós-mastectomia, sendo que a maioria delas escolhe o abdômen como área doadora. Cada vez mais as mulheres estão buscando procedimentos que preservam o músculo, porém seus benefícios permanecem controversos. Isso se torna importante para determinar se os melhores resultados estão associados a essas técnicas, de modo a justificar cirurgias mais longas e mais custosas.

Para isso, pesquisadores realizaram um estudo multicêntrico em cinco centros americanos e canadenses, publicado no periódico “Plastic and Reconstructive Surgery”. Foram incluídos pacientes em que a reconstrução mamária foi realizada com o retalho perfurante da artéria epigástrica inferior profunda (DIEP), retalho miocutâneo do reto abdominal transverso (TRAM) livre e com preservação muscular, retalho TRAM livre e retalho TRAM pediculado. Os pacientes responderam o questionário de avaliação de qualidade de vida BREST-Q. Dados epidemiológicos e complicações foram analisados.

Os autores consideraram 1.790 prontuários, totalizando 670 DIEPs, 293 retalhos TRAM livres com preservação muscular, 683 retalhos TRAM pediculados e 144 retalhos TRAM livres, com média de seguimento de 5,5 anos. Não houve diferença entre os grupos quanto à perda total de retalhos. A perda parcial foi maior no TRAM pediculado comparado com o DIEP (p=0,002). Necrose gordurosa foi maior no TRAM pediculado comparado com o DIEP e com o TRAM livre com preservação muscular (p<0,001). Hérnia, ou abaulamento abdominal, foi maior no TRAM pediculado (p<0,001). As notas de bem-estar físico (abdômen) foram maiores no DIEP comparado com o TRAM pediculado.

Como conclusões, as complicações e os resultados reportados pelos pacientes foram diferentes entre as diversas técnicas de reconstrução mamária com retalhos abdominais. O retalho DIEP foi associado com as maiores notas de bem-estar (abdômen) e as menores taxas de morbidade abdominal, comparado com o retalho TRAM pediculado, mas não foi diferente em relação aos outros grupos de retalho TRAM livre.

Veja a íntegra do estudo: http://migre.me/to28O